tava tudo escuro, tinha faltado luz desde as três horas da tarde, mas às três horas da tarde a gente nem sente falta da luz. foi cair a noite para vir aquela angústia, começar a perceber que não dava pra enxergar direito e que nada funcionava, nem meu computador, nem a tv, nem o telefone sem fio.
sabe que eu vou contar aqui uma coisa muito pessoal. hoje, se eu tivesse uma filha, daria o nome dela de Clara. Clara é luz, é quase transparente. e brilha, como um diamante. Clara é Nunes, é Averbuck, mas também é Clarice, Linspector ou Chwartzmann, é a lembrança que tenho de uma amiguinha de infância que eu admirava muito. Ela era doce, bonita, esperta, era pura luz. sempre que penso nos nomes, penso nas pessoas que conheci com esses nomes e faço um balanço para ver se aquele nome é bom ou ruim. Clara é bom. Além do mais, Clara é o avesso do escuro, é esse momento que eu vivo e tudo o que ele está me trazendo. é a manifestação da vontade de ser ainda mais feliz! e se deus fez a luz, quem sabe qualquer dia desses ele não faz a Clara também..
OS OLHOS ABERTOS
Um Blog de percepções, de afetos e algumas bobagens cotidianas.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
um filme em fast foreward eu e minhas roupas
a janela onde a gente espia nem sempre é a janela que a gente abre. voltei no armário e não tinha nada mais, minhas roupas já estavam todas desparceiradas e fiquei sem ter o que vestir. eu até teria o que vestir, mas sinceramente não ia me sentir confortável com panos que não mais me pertencem. um filme de todas as roupas que eu tive passou na minha cabeça, um filme não, um trailer porque foi muito rápido, um filme em fast foreward, mas, sim, eu sabia o que estava faltando ali e sabia o que eu queria vestir. mas o que eu queria vestir realmente não estava lá. estou numa fase que não gosto de comprar roupas novas, prefiro reinventar as que eu já tenho. ando com pânico de perder minhas roupas atuais porque tenho por elas um especial apreço, um sentimento que fica entre o amor e a posse, já que cada uma delas guarda em si intermináveis momentos e cheiros e inclusive pigmentos que foram colecionados involuntariamente. cada roupa tem o seu dna, talvez por isso minha mãe deteste que eu compre coisas em brechós.
mas quando eu vou até um brechó não sou eu que escolho as roupas. são elas que me escolhem. é como se uma energia encontrasse com a outra e aí tudo certo, nos achamos. quase predestinados eu e minha peça de roupa, levo ela pra casa como se tivesse saído da loja mais trés chic créme-de-la-créme. lavo, cuido e por vezes dou a minha reformadinha para que ela me compreenda melhor, afinal em todo o relacionamento existe uma fase de adaptação. mas depois que veste direitinho, a gente não quer mais tirar.
mas quando eu vou até um brechó não sou eu que escolho as roupas. são elas que me escolhem. é como se uma energia encontrasse com a outra e aí tudo certo, nos achamos. quase predestinados eu e minha peça de roupa, levo ela pra casa como se tivesse saído da loja mais trés chic créme-de-la-créme. lavo, cuido e por vezes dou a minha reformadinha para que ela me compreenda melhor, afinal em todo o relacionamento existe uma fase de adaptação. mas depois que veste direitinho, a gente não quer mais tirar.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
a vida em vídeo. a vida em tempestade.



Foi a Carmen Beckenbach, amigona da Lenara Verle e curadora de videoarte do ZKM, maior centro de tecnologia da Alemanha, que me ensinou a apreciar a videoarte. Na época eu confesso que achava tudo um pouco chato, repetitivo, não conseguia entender bem aonde esses artistas estavam indo (ou tentando me levar). Mas depois da visita iluminada da Carmen tudo fez mais sentido.
A Carmen ofereceu um curso em 2006 que mudou completamente o meu olhar sobre essa arte. Durante o curso, ela mostrou o trabalho de 18 videoartistas que fizeram a história do gênero no mundo inteiro: John Baldessari, Paik, Dara Birnbaum, Dieter Kiessling, Bill Viola, Fischli & Weiss, Marina Abramovic, Sadie Benning, Cris Cunninghan, Eija-Liisa Ahtila, Daniel Pflumm, Matthew Barney, Annika Larsson, Walid Ra’ad, Pipilotti Rist, Johanna Domke, Johan Grimonprez.
O tempo foi passando e muita coisa foi surgindo por aí em termos de videoarte e francamente me interessa bastante conhecer trabalhos que sejam inspiradores, porque se o vídeo é bom ele tem a capacidade de te tirar do espaço e do tempo. De te engolir mesmo, num transe que só acaba quando a consciência chama.
Toda essa introdução serviu para falar da mostra Tempestade, que traz a Porto Alegre o creme do creme da mostra Interpéries, a qual já esteve na Oca e no Oi Futuro do Rio. A mostra organizada por Marcello Dantas tem curadoria de Alfons Hugh e Alberto Saraiva e trata da temática do tempo e fenômenos climáticos, dividindo o espaço em frio e quente, trazendo uma ambientação visual e sonora muito bem adequada ao primeiro andar da Usina do Gasômetro. Artistas de diversas partes do mundo trazem um olhar criativo e apurado para eventos que impressionam e comovem. São imagens impressionantes que nos fazem pensar que o mundo é realmente uma arena, onde o homem está sempre na luta contra o tempo.
Não deixe de visitar a mostra, que fica até o dia 20 de dezembro em cartaz.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
KICKING THE POP ART
Taí, curti a promoção que a Converse tá fazendo. Gosto quando existem projetos que incentivam o desenvolvimento intelectual, criativo e a projeção profissional, ainda mais quando a temática cultural está presente.
Pois então, os jovens designers podem criar o seu próprio Chuck Tailor's All Star, o tênis mais famoso do mundo. Quem ganhar, além de levar R$ 2.000,00 ganha um tênis no mercado, além de uma ano de abastecimento (ou seja, vista muito all star, beibe).
O pré-requisito foi a inspiração na Pop Art. Não sei como ainda não pintou um modelo com uma banana do Andy na lateral.
O cronograma:
30/09/09: início do concurso
03/11/09: prazo final para envio dos modelos
13/11/09: fim da votação pública
15/12/09: prazo máximo para divulgação dos vencedores
Para participar:
ENTRA AQUI NO SITE
Alguns modelos que eu não usaria, mas que parecem estar bem afinados com a proposta. A maior parte dos criativos passou chutando pela Pop Art..

Pois então, os jovens designers podem criar o seu próprio Chuck Tailor's All Star, o tênis mais famoso do mundo. Quem ganhar, além de levar R$ 2.000,00 ganha um tênis no mercado, além de uma ano de abastecimento (ou seja, vista muito all star, beibe).
O pré-requisito foi a inspiração na Pop Art. Não sei como ainda não pintou um modelo com uma banana do Andy na lateral.
O cronograma:
30/09/09: início do concurso
03/11/09: prazo final para envio dos modelos
13/11/09: fim da votação pública
15/12/09: prazo máximo para divulgação dos vencedores
Para participar:
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Alguns modelos que eu não usaria, mas que parecem estar bem afinados com a proposta. A maior parte dos criativos passou chutando pela Pop Art..

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
no balanço
vivendo ainda os vinte e sete, pensando e olhando o cordão do tempo pra ver o que passou
pensando e olhando à frente pra ver o que eu desejo do amanhã
pensando e mergulhando no hoje, para viver como o meu agora se completa.
to por aí e to no mundo, felina de muitas vidas de muitas quedas e subidas
tudo que eu amo emerge de mim neste momento
posso ser quem eu quiser, mas hoje sei bem quem eu sou
estão comigo as almas que me complementam
e no baú da memória fica tudo o que já não serve mais.
eu já quis ser dentista, advogada. eu já quis ser bailarina e escritora. já quis ser mulher de mágico e também tive muita vontade de trabalhar com arqueologia. eu já tive tudo que é bicho e já me fantasiei de muitos personagens, um em cada aniversário.
vida. eu me deleito nas escolhas que eu fiz, doa a quem doer. tenho amor intenso, que me faz dançar no infinito, o amor mais lindo e mais sincero, o amor para sempre. amigos diamantes, poucos mas eternos e todos de verdade. uma família que é uma verdadeira piscina de algodão, proteção, carinho, cuidado. o resto é tudo complemento, energia que volta em dobro, resultados de entregas, de paixão e de verdades que vão sendo contruídas ou reveladas.
vinte sete, eu sou feliz.
e louco é quem me diz.
pensando e olhando à frente pra ver o que eu desejo do amanhã
pensando e mergulhando no hoje, para viver como o meu agora se completa.
to por aí e to no mundo, felina de muitas vidas de muitas quedas e subidas
tudo que eu amo emerge de mim neste momento
posso ser quem eu quiser, mas hoje sei bem quem eu sou
estão comigo as almas que me complementam
e no baú da memória fica tudo o que já não serve mais.
eu já quis ser dentista, advogada. eu já quis ser bailarina e escritora. já quis ser mulher de mágico e também tive muita vontade de trabalhar com arqueologia. eu já tive tudo que é bicho e já me fantasiei de muitos personagens, um em cada aniversário.
vida. eu me deleito nas escolhas que eu fiz, doa a quem doer. tenho amor intenso, que me faz dançar no infinito, o amor mais lindo e mais sincero, o amor para sempre. amigos diamantes, poucos mas eternos e todos de verdade. uma família que é uma verdadeira piscina de algodão, proteção, carinho, cuidado. o resto é tudo complemento, energia que volta em dobro, resultados de entregas, de paixão e de verdades que vão sendo contruídas ou reveladas.
vinte sete, eu sou feliz.
e louco é quem me diz.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
andando
aos poucos o caminho se abre
ela sente que o vento bate e faz voar o seu cabelo enquanto suas sardinhas se desorganizam com a luz do sol.
ela não gosta do sol quando está forte, mas de manhã ele é realmente uma delícia, ele é um carinho morninho na base do seu nariz.
ela percebe que se não fosse a poluição as árvores poderiam estar bem mais verdes, mas que as que ela vê da janela do seu quarto são realmente bem mais verdes do que as que a gente vê no centro da cidade.
ela sente que a água nunca foi tão molhada e que o frio nunca foi tão gelado e que o amor que ela sente pelas coisas que ela tem nunca foi tão profundo.
ela sente que nada disso seria assim tão pleno se ela não tivesse percebido.
se ela não tivesse parado, olhado em sua volta. olhado para os lados e depois para frente.
olhado para os lados e depois para frente e depois para o céu.
olhado enfim para dentro dela e percebido que.
tudo é realmente extremamente complexo.
mas nem por isso deixa de ser completamente simples.
ela sente que o vento bate e faz voar o seu cabelo enquanto suas sardinhas se desorganizam com a luz do sol.
ela não gosta do sol quando está forte, mas de manhã ele é realmente uma delícia, ele é um carinho morninho na base do seu nariz.
ela percebe que se não fosse a poluição as árvores poderiam estar bem mais verdes, mas que as que ela vê da janela do seu quarto são realmente bem mais verdes do que as que a gente vê no centro da cidade.
ela sente que a água nunca foi tão molhada e que o frio nunca foi tão gelado e que o amor que ela sente pelas coisas que ela tem nunca foi tão profundo.
ela sente que nada disso seria assim tão pleno se ela não tivesse percebido.
se ela não tivesse parado, olhado em sua volta. olhado para os lados e depois para frente.
olhado para os lados e depois para frente e depois para o céu.
olhado enfim para dentro dela e percebido que.
tudo é realmente extremamente complexo.
mas nem por isso deixa de ser completamente simples.
sábado, 19 de setembro de 2009
FAZENDO TEATRO mais uma criação da MARIA CULTURA
Esse ano a gente se envolveu com um monte de projetos infantis, o que eu ADORO! Claro que isso só colabora pra ativar o meu super instinto maternal... Mas essa produção infantil ainda vai ter que dar uma esperada. Não tem jeito.
FAZENDO TEATRO é um projeto lindo criado pelo Theatro São Pedro, um verdadeiro circuito de atrações infantis que além dos espetáculos nacionais e locais, traz também oficinas de teatro (com direito a montagem final no palco do TSP) e palestras descontraídas com grandes nomes como Ziraldo.

Fazia bastante tempo que o TSP não encabeçava um projeto totalmente voltado para crianças e com imenso prazer estamos participando desse momento.
A campanha foi criada pela MARIA CULTURA, redação do Ricardo Kroeff, ilustração e D.A. Achilles Kruger Filho e Cauan Rolim Ferreira.
O VT foi produzido pela TGD, dirigido pelo Rafa Ferretti, com áudio da Gogó Produtora.
Os spots, que são demaaaais, foram produzidos pela Gogó também.
Os ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro.
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terça-feira, 8 de setembro de 2009
Meu avô é um contador de histórias
Gosto de sentar junto dele para atentar ao verbos que lhe saem da boca. Sinto como se as borboletas voassem da sua inventiva mente e percorressem seu caminho até tocarem o ar, batendo suas asinhas sobre os meus cabelos e deixando que algo dele caia sobre mim.
Não sei se o dom de escrever é algo que vem no "bolo genético", ou algo que tratamos de imitar. Desde pequena, meus escritos sempre foram uma espécie de resultado do meu passado e de tudo que ouvia e observava, de tudo que eu gostava e tomava como exemplo das minhas influências escritoras superiores mais fortes: meu pai e meu avô. Quando entreguei minha dissertação de mestrado, uma das observações feitas pela banca, foi: Camila, a gente percebe que tu escreves com paixão. Engraçado que ao entregar a monografia, a observação, se não foi igual, foi muito parecida.
De fato. Escrevo com paixão, mas escrevo com a mesma paixão que trabalho, com a mesma paixão que vivo e que me relaciono com as pessoas. Uma paixão talvez tanha adquirido ao assistir meu avô falar no telefone com o moço da farmácia, a mesma paixão que ele consegue colocar num cartão de aniversário, ou ainda, a mesma paixão que liberta as borboletas do seu cérebro cada vez que ele me conta um fato ou discursa alto para a família no almoço de domingo.
Eu sei que essa paixão é infinita. A paixão pela vida, que cada um deveria levar juntinho no seu bolso. Por isso eu peço a meu avô:
Vô, preciso que tu recarregue aí dentro dessa tua mente brilhante a produção de borboletas, pois ainda tenho muito pela frente a escrever.
Porto Alegre, 15 de março de 2008 – 80 anos de paixão.
Não sei se o dom de escrever é algo que vem no "bolo genético", ou algo que tratamos de imitar. Desde pequena, meus escritos sempre foram uma espécie de resultado do meu passado e de tudo que ouvia e observava, de tudo que eu gostava e tomava como exemplo das minhas influências escritoras superiores mais fortes: meu pai e meu avô. Quando entreguei minha dissertação de mestrado, uma das observações feitas pela banca, foi: Camila, a gente percebe que tu escreves com paixão. Engraçado que ao entregar a monografia, a observação, se não foi igual, foi muito parecida.
De fato. Escrevo com paixão, mas escrevo com a mesma paixão que trabalho, com a mesma paixão que vivo e que me relaciono com as pessoas. Uma paixão talvez tanha adquirido ao assistir meu avô falar no telefone com o moço da farmácia, a mesma paixão que ele consegue colocar num cartão de aniversário, ou ainda, a mesma paixão que liberta as borboletas do seu cérebro cada vez que ele me conta um fato ou discursa alto para a família no almoço de domingo.
Eu sei que essa paixão é infinita. A paixão pela vida, que cada um deveria levar juntinho no seu bolso. Por isso eu peço a meu avô:
Vô, preciso que tu recarregue aí dentro dessa tua mente brilhante a produção de borboletas, pois ainda tenho muito pela frente a escrever.
Porto Alegre, 15 de março de 2008 – 80 anos de paixão.
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